Vou dar uma voltinha com o meu carro, respondi.
Qual carro? Pergunta-me com a sua voz já com os decibéis acima do volume considerado normal.
O carro de transporte que eu fiz – respondo quiçá meio feliz meio a medo, afastado quanto bastasse - mostrando-o dependurado pelo arame que lhe servia de volante, pois tinha dúvidas que os seus lindos olhos azuis, não ficassem arregalados e consequentemente as suas mãos “trabalhassem”, quando se abeirasse por perto do “engenheiro”, já com a construção pronta a rolar no asfalto da rua onde vivia.
Dá cá o carro e vai ao vinho para o jantar do teu pai!
encostadas às paredes, mesas e bancos não haviam dada a sua pequena dimensão. A restrição à entrada dos miúdos não acontecia, mas só era possível a permanência no tempo do atendimento.De garrafa na mão, com meio litro de vinho para o jantar do Adriano, meu pai, venho em correria rua abaixo, pois não queria deixar de apresentar, enquanto era dia, o meu novo “modelo” de transportes de mercadorias aos outros putos do bairro.
Este meu carro de “pesados” era construído com 4 caixas de latas de graxa redondas, que faziam de rodas ligadas em eixo, sendo o chassis composto por duas caixas de latas de conserva de atum rectangulares, tudo ligado por arame. Por fim levava à altura da barriga, uma gancheta às rodas dianteiras a fim de o poder manobrar.
O carro podia levar 3 caixas de latas de conservas, mas não mais, senão, “abarrigava” com o peso e, arrastava pelo chão. Era preferível fazer um atrelado, apenas com duas rodas a trás e engatado ao carro da frente, como qualquer TIR de hoje.

Duas das caixas da graxa que iam servir de rodas, foram-me dadas pelo Sr. Joaquim, o sapateiro, fruto das conversas em algumas tardes que, sentado no parapeito da janela que rasava o chão do passeio, o via na arte a trabalhar e na esperança que a graxa depressa se esgotasse.

Parecem bandos de pardais à solta
O carro é construção do autor em 2009. Em miúdo fazia melhor






