segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
NA ALDEIA NÃO HAVIAM OLHOS AZUIS MAIS BONITOS

CABEÇO DE MONTACHIQUE( Foi nesta linda aldeia que a minha mãe nasceu)
Descansando sobre montes verdejantes e de topografia irregular, encontramos a localidade de Cabeço de Montachique, sensivelmente perto da Cidade de Loures, no distrito de Lisboa.
De origens antigas, as primeiras alusões a este lugar surgem nos registos da Alfândega das Sete Casas (referenciada no decreto de 17 de Setembro de 1833). Contudo, a existência deste serviço já era conhecido no reinado de D. Manuel I, apontando-se o seu funcionamento no século XVI com “Ver o peso”, “Marçaria e Herdade”, “Sisa da Fruta”, “Portagem”, “Sisa da Carne”, “Sisa do Peixe” e “Terreiro”.
... Cabeço de Montachique era considerada uma estação subalterna, com a denominação de “Registo”, directamente dependente da Alfândega das Sete Casas. Esta foi extinta pelo decreto de 11 de Setembro de 1852 que, unindo-a ao Terreiro Público, formou a Alfândega Municipal.
No século XIX, e também nos inícios do século XX, esta povoação de génese rural disseminava-se pelos terrenos existentes e aráveis, de uma forma dispersa, onde se destacavam as Quintas, que concentravam a actividade agrícola.
O Cabeço de Montachique é uma pequena localidade dividida por dois concelhos (Mafra e Loures) e três freguesias (Fanhões e Lousa, no concelho de Loures, e o Milharado, no concelho de Mafra).
A localidade é definida pelos seus inúmeros Casais, Quintas, Moinhos e Outeiros, como por exemplo, o Outeiro das Pêgas, Casal de Santo António, Quinta do Choupo, Moinho Sarradas das Velhas, Quinta de S. Gião e o Casal do Andrade (embora este último fique fora da povoação, é aceite como parte integrante da localidade).
No topo da montanha, que lhe dá o nome, encontramos um «fragmento» de manto basáltico poupado pela erosão. É o ponto mais alto do concelho de Loures (408 metros) onde é possível observar, no seu topo, toda a região de Lisboa até Setúbal(Almada).
Na foto encontramos a obra inacabada do sanatório Grandella.
Bibliografia "Aldeias de Portugal" com a devina vénia o transcrevo
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
HISTÓRIAS DO MEU VELHO BAIRRO DAS FURNAS (XXXIV)
![]() |
| Antiga Rua das Tilias |
FUI AO ENCONTRO DO MOINHO QUE ME VIU
CRESCER
Naquela manhã, o sol não se avistava. Também não chovia. O tempo estava
nublado, cinzento, mas nada que, estorvasse o meu encontro com o moinho que me
viu crescer.
No Calhau, aos seus “pés”, na Serra do Monsanto, um belo parque recheado com
zonas de recreio, circuitos de manutenção, zonas para merendar e campos de jogos.
Os trilhos apresentavam-se limpos, com todo o terreno verdejante.
Não são muitos os visitantes. Uns correm, outros passeiam com os fiéis
amigos presos por trelas.
Vejo, em zonas demarcadas, bancos de descanso, mesas para merendar. Contudo
não me fazem distrair no meu caminho ao encontro do “meu” moinho. Sabia que, no
cimo da vereda carregada de vegetação, o descobriria como outrora, sem trilhos,
vezes sem conta, o encontrara.
Na frente da sua pequena entrada em ruínas, parado, espero pelo seu
“abraço”. Aguardo pelo “convite” para entrar. Admiro os velhos e, mais
degradados os buracos que, serviram certamente de suporte às peças do engenho.
Afago, respeitosamente aquelas pedras polidas pelo tempo.
Como outrora, não escondo o desejo de escalar as suas paredes. Esforçado,
sozinho, a custo o fiz. No alto, quanto o meu olhar alcança, vejo as diferenças.
Do novo Bairro, não vejo as ruas, mas sim alguns andares de poucos prédios.
Ao cimo também não vejo o adro e capelinha, como antigamente admirava, sentado naquelas
pedras sempre frias.
Pior foi descer, esqueci-me das dificuldades pela idade. Aquele amontoado de
pedras, restos do moinho que me viu crescer, mais pareciam não o querer deixar.
No entanto direi:
Voltarei! Prometo!
…................
Das várias entradas existentes no novo Bairro das Furnas, quase sempre
escolho a entrada pela rua Padre Carlos dos Santos (antiga Rua das Tílias?).
Não sei explicar o porquê, talvez pelo “costume”, quando menino e moço, morador
do velho Bairro das casas desmontáveis.
Um outro gesto, também não o saber explicar, quando desço a rua Costa da Mota,
o meu olhar, forçosamente, vai na direcção da “minha” serra de Monsanto,
procurando avistar no alto, o seu majestoso e velhinho moinho de vento, mas sem
êxito.
Desolado, continuo na direcção dos meus propósitos, ficando na minha mente
a lembrança, de como era bonito avistar, o “Três Cruzes”, de todas as ruas do
velho bairro das Furnas.
Conta a história que, a Serra
apresentava condições de exposição ao vento, levando ao desenvolvimento de uma
importante actividade moageira. É assim que, em meados do século XIX, eram
cerca de 75 os moinhos de vento em laboração e, anos depois se terá verificado rápido
declínio. O último a encerrar foi, o Moinho do Penedo, no ano de 1925.
Com a ideia, conseguida, da criação
do Parque Florestal de Monsanto, no ano de 1938, é dado o início às
expropriações e reflorestação da serra.
Hoje, na Serra de Monsanto, só há
vestígios de “meia dúzia” dos velhos moinhos: Moinho do Penedo, Moinhos do
Mocho, Moinhos de Santana, Moinhos do Casalinho da Ajuda e Moinho das Três
Cruzes ou do Calhau. Todos, dispondo ao seu redor, zonas de recreio, circuitos
de manutenção, zonas para merendar e campos de jogos.
O “meu”, “O Três
Cruzes”, está classificado, por excelência, como um dos miradouros mais bonitos
sobre a zona leste da cidade de Lisboa. Infelizmente é o único que não foi
recuperado, continuando em plena degradação.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
HISTÓRIAS DO MEU VELHO BAIRRO DAS FURNAS (XXXIII)
O NATAL E O AVIÃO QUE DAVA CAMBALHOTAS
…Bom
dia Georgina… disse sorridente a Ti Rosa, no momento que
empurrava a porta de entrada da minha casa.
…Bom
dia…respondeu-lhe
…Que
frio que está hoje e, tu pela manhã, já a limpares e, a arrumares o tampo da cómoda…
A cómoda que, em casa existia,
ficava situada no lado esquerdo da entrada. Quando pequeno, a altura do móvel dava
pelo meu peito. No comprimento, tinha 3 gavetas sobrepostas. Ocupava todo o
espaço da parede até ao quarto.
No tampo, estava colocada uma
toalha de renda, alguns biblôs, uma jarra, sempre composta com as flores do
quintal e, algumas imagens de santos. O candeeiro de vidro, a petróleo, estava
ali mesmo à mão, uma ou outra fotografia, por lá, também se via.
…Não
filha…ripostou minha mãe
…Estou
a tirar tudo do tampo da cómoda para construir o presépio…
…O
Raul foi à mata, buscar musgo, não deve tardar…
Apanhar e carregar o musgo,
todos os anos, para o presépio, era da minha responsabilidade.
De balde de zinco na mão, uma
faca, alguns velhos papéis dos jornais para separar as camadas do musgo que,
viria a ser arrancado da terra, lá ia eu a caminho da mata de São Domingos de
Benfica, ou da serra de Monsanto.
O balde já por si era pesado,
carregado com o musgo, pior um pouco. Era um recado/trabalho que fazia com
muito gosto.
O presépio, lá em casa, era
muito bonito! Todo ele era feito de bonecos de barro, excepto a cabana que era de
palha.
Na cabana de palha estava o
menino deitado nas palhinhas da manjedoura, acompanhado das imagens exigentes
da tradição.
Tinha na sua frente, ao longo
do tampo da cómoda espalhados no musgo, todo um aparato de pequenos bonecos.
Uns representando a vida numa aldeia. Outros, a vida do pastor no monte, com o
cão e, as ovelhinhas a pastar.
Não faltava uma pequena
cascata, feita da folha de prata, a imitar a água a correr para um lago, não
mais que, um pequeno espelho, contendo um ou dois minúsculos patos.
…Anda
cá oh Rosa…disse-lhe a D. Georgina, minha mãe.
…Quero-te
mostrar o brinquedo que vou pôr no sapatinho do Raul…
…Comprei-o
na papelaria do Chico…
O Sr. Chico tinha uma papelaria
na Cruz da Pedra. Vendia também brinquedos.
Estava situada um pouco à
frente da Pastelaria (A Colmeia), na Estrada de Benfica, perto da loja de electrodomésticos onde o Bica, da minha rua, mais tarde veio a trabalhar para
aprender a profissão de electricista.
A loja do Sr. Chico, por esta
época festiva, era das poucas lojas, em redor do velho Bairro das Furnas, que,
tinha a montra mais recheada de brinquedos.
Era costume ver a pequenada, pasmada,
encostada aos vidros da montra, a admirarem todo aquele aparato.
Eu já fizera há muito a minha
escolha, “perdendo”, quando pela loja passava, largos minutos a vê-lo trabalhar.
Maravilhado, perguntei à minha
mãe se o Pai Natal me podia dar?
Da resposta apenas obtive o
silêncio.
…Oh
Georgina foi caro? Pergunta-lhe a Ti Rosa.
…O
Sr. Chico deixa-me pagar por 3 vezes… retorquiu
…Eu,
para a minha mais velha, vou comprar umas meias de vidro, destas agora, sem
costura. Para os outros ainda não sei…avançou indecisa a Ti Rosa.
Naquela noite, 24 de
Dezembro, do ano de 1953, o poial da chaminé da minha casa estava muito
branquinho. Não passara uma semana que fôra caiado.
Tinha em cima dos azulejos uma
pequena toalha de cor branca, 2 sacos de flanela de cor vermelha, um meu sapato
cardado na sola, couro amarelo e ensebado, onde supostamente, o Pai Natal iria
colocar os brinquedos por mim solicitados e, ainda, os pedidos pela minha
sobrinha Madalena, então com 4 anos.
Bem fiz aturados esforços
contra o sono, na espera da meia-noite, mas o “joão-pestana” foi bem mais
forte.
De manhã cedo, ainda noite
escura, corro para a chaminé para ver das minhas sortes!
Eu o pressentia!
Lá estava a minha paixão!
…O meu primeiro brinquedo de
corda. O avião que dava cambalhotas e que, durante alguns dias, o via deslizar nas
improvisadas pistas na montra da loja do Sr. Chico…
Não posso descrever o
sentimento dos meus pais ao assistirem à minha alegria, mas recordo de
como era bonito ver contentes,
com os novos brinquedos, nesse dia de Natal, os miúdos/as da minha rua.
Que vaidoso estava, por
brincar com os demais, vendo o meu avião de corda “voar” e a dar cambalhotas na
“pista” da velha Rua dos Plátanos.
Foi assim o dia de Natal,
naquele ano.
Hoje, nesta quadra natalícia,
quero os dias a correrem depressa. Quero ver retratado, nos lindos rostos, das
filhas e das/o netas/o, a alegria originada pelas prendas “oferecidas” pelo
velho Pai Natal.
Nota:
A imagem do avião, igual ao
brinquedo que me foi oferecido neste Natal, foi copiada, com a divina vénia, do
Blog Meus Brinquedos Antigos
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
HISTÓRIAS QUE ME ATREVO A CONTAR
A MENINA DANÇA?
…Já não se encosta a face à face da dama.
…Já não se trauteia aos ouvidos da donzela.
…Já não aproximam os corpos (a medo) como outrora.
…O rigor da indumentária já não se verifica.
…Os passes de dança já não são motivo de censura por mal praticados.
Recentemente dei nota de uma cena passada no período da adolescência, num dos frequentes bailes, ao fim de semana, no Clube de Sete Rios, cujas antigas instalações ficavam nos arredores do velho Bairro das Furnas.
Pensando melhor e, pela importância que, naquele período, tais eventos representavam para a juventude, entendi desenvolver um modesto apontamento de registo, a fim de, eventualmente, se tirar ilações e, quiçá, compara-lo com os hábitos/costumes contemporâneos.
A cidade de Lisboa, naquele tempo, estava bem apetrechada de clubes recreativos e sociedades culturais. Eram dos poucos espaços democráticos de raiz popular. Designavam-se, de alguma forma, como um movimento de oposição, de resistência cívica, política social e cultural, ao regime fascista.
Pelo seu empenhamento, umas quantas foram encerradas e, alguns dos seus dirigentes passaram pelos calabouços da polícia política e, do regime.
Creio não estar a ser injusto se referir que, a juventude, na maior parte desprovida das acções da política, para além da sua ocupação no trabalho, ou no liceu, “perdia-se” no pensamento, pela chegada das matinés, ao fim-de-semana, organizadas nas colectividades.
Era das poucas oportunidades, nas voltas de um slow ou de um tango, ter nos braços a sua escondida paixão. Ou para o aprazimento, tanto quanto possível, à sua “fogosidade” que, nessa idade, a todos assolava.
Era quase sempre os rapazes os primeiros a chegarem ao bailarico.
Acomodavam-se no bufete.
Por vezes jogavam às moedas ou diziam dichotes. Mas atentos da chegada daquela, por quem o interesse vinha observado ou observara em fim-de-semanas anteriores.
Raramente se sentavam, a não ser que o seu par já o tivesse por comprometido.
As moças vinham sempre acompanhadas das mães. Ou recomendadas pelo “olhito” de uma vizinha. Só excepcionalmente tinham autorização de sozinhas, irem ao salão de baile. Quanto muito em grupo, mas sempre na presença de alguém de “confiança” dos seus pais.
Apresentavam-se de saias e blusas ligeiramente ajustadas ao corpo. Um ou outro colar de pechisbeque ornamentava o peito, escondendo um modesto decote.
Era raro o uso de calças. Aqui ali, alguém com pudicas e ligeiras camadas de batom nos lábios.
Ao fundo do salão de baile, encontrava-se o palco. Nele, quase sempre um conjunto musical.
Junto das paredes, por debaixo de alguns espelhos, ou de fotografias de cor sépia pelo tempo, as filas das cadeiras, onde se sentavam as raparigas e, as suas “vigilantes”.
Quando o animador da sala, dava o sinal aos músicos para iniciaram a actuação, os jovens, aos poucos, sorridentes, uns atrás de outros, sala fora, lá iam no encontro das donzelas.
Apresentavam-se de fato, casaco necessariamente abotoado e gravata a condizer. Com os sapatos era condição trazê-los bem engraxados, para dar nas vistas quando observados nos passos da dança.
Eram momentos de grande nervosidade.
A menina dança?
Aqui a sorte estava ou não na aceitação, na maior parte das vezes, pelo consentimento, por gestos ou sinais, de quem a acompanhava a rapariga.
Registar que, mesmo contra a vontade a quem formulei o convite, levei algumas “tampas”.
Desistir nunca.
Momentos altos, por tão bom, eram quando consentido o encostar do rosto, permitindo (por vezes) cantarolar aos ouvidos da parceira. Quase sempre dava azo a um “apertadinho” mais ousado e, também ao estalo, ou ao abandono, no meio da sala, do cavalheiro. Foi também acontecimento nalgumas vezes.
Interessante era o momento em que, o animador anunciava “damas ao bufete”.
O cavalheiro convidava e obrigava-se a pagar, uma bebida ou um bolo, ao par que, mais “sorte” lhe deu naquela tarde.
Eram também momentos que, o pouco dinheiro nos bolsos desaparecia.
Nem tudo era “mau”.
Nestas ocasiões de “damas ao bufete”, permitia, por breves momentos, ficarmos livres da vigilância da mãe ou do “olhito contratado”.
Aqui os sorrisos, algo comprometedores e, os afagar/encostar os dedos na mão da donzela, eram sinais do interesse para uma maior aproximação e, desejo do namorico.
Mas tudo passa.
Com o surgimento das discotecas, dancigs, pubs, etc., os hábitos de convivência da juventude mudaram muito.
Nos dias de hoje, sobretudo em Lisboa, a importância destas sociedades, como locais de reunião social e cultural, foi decrescendo. Poucas são as que, mantém as raízes. A grande maioria já não funciona. Nas existentes é muito rara a presença da juventude e, ver as “enchentes” como em outrora se verificavam.
Já não se encosta a face à face da dama.
Já não se trauteia aos ouvidos da donzela.
Já não aproximam os corpos (a medo) como outrora.
O rigor da indumentária já não se verifica.
Os passes de dança já não são motivo de censura por mal praticados.
Mas…Sempre que posso, mesmo já no arrastar dos pés, não dispenso uma matine dançante.
A senhora dança?
Fotomontagem da furniana Teresa Carvalho (Té)
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