sábado, 2 de novembro de 2019
AS MISTERIOSAS GRUTAS DE LAPAS
As grutas de Lapas tornaram-se um sítio misterioso com o qual se fizeram muitas lendas que deliciaram o povo.
Tem cartazes expostos, com uma intervenção do compositor e músico Zeca Afonso, a 28 de dezembro de 1968, com a presença de cerca de sete dezenas de espectadores em nítido desafio ao regime ditatorial.
Neste princípio de outono surgiu a oportunidade de visitar as misteriosas grutas de Lapas.
As grutas ficam situadas na pequena aldeia de Lapas. No concelho de Torres Novas. A pequena estrada que lhe dá acesso estende-se por uma elevação aonde as mesmas estão situadas. O ar é mais fresco, se bem que o sol ainda esteja alto. Mas a temperatura estava agradável.
Cheios de curiosidade chegamos ao local por volta das 10,30 horas. Ao nosso encontro, sorridente, dirige-se a responsável e simpática guia, que nos dá as boas vindas. Nesta manhã de outubro, somos os únicos visitantes e, em pequeno passo no percorrer das galerias, com um ou outro morcego a sobrevoar, informa-nos:
As grutas das Lapas são uma rede de galerias artificiais. O aglomerado está implantado numa elevação correspondente a um terraço fluvial do rio Almonda. A sua origem, de idade quaternária, permanece envolta em mistério. Uma das explicações é que tenham sido uma pedreira subterrânea de tufo, acreditando-se que foram os romanos os primeiros a explorarem-nas para extração de tufo calcário.
Acrescentando:
São várias as teorias formuladas, desde uma utilização primitiva como abrigo, associada a cavidades naturais preexistentes, ao refúgio de cristãos primitivos ou à já referida, exploração de blocos de tufo na época romana, havendo ainda várias referências aos mouros no imaginário local.
Os historiógrafos não chegam a consenso acerca de quem e para que fim foram exploradas estas grutas; uns atribuem aos cristãos que as escavaram para se esconder dos romanos, enquanto outros consideram que foram construídas pelos mouros. O que se sabe realmente é que foi das grutas que se extraiu o tufo com que se edificaram as casas da povoação e o próprio castelo de Torres Novas. As grutas tornaram-se um sítio misterioso com o qual se fizeram muitas lendas que deliciaram o povo mas que hoje, estão a cair no esquecimento da própria população.
Ao certo, sabe-se que a própria aldeia, com a designação de Lapas, já existia em 1212, data do compromisso da sua confraria; que, dos trabalhos arqueológicos efetuados, os vestígios mais antigos datam do século XV e, há fontes que referem as galerias já abandonadas em meados do século XVIII.
A simpática guia, após a sua exposição histórica, convida-nos a ver os cartazes expostos nas paredes de tufo, com destaque para a intervenção musical do Zeca Afonso, a 28 de dezembro de 1968, contrariando a política do regime ditatorial, na presença de cerca de sete dezenas de espectadores. Assim como fotografias de alguns episódios de recentes telenovelas e filmes ali produzidos.
Decerto que voltaremos ao concelho! Desta feita para visitar as ruinas romanas da Vila Cardílio,
Notas:
Texto da responsabilidade de Raul Pica Sinos, apoiado em textos de turismo editados pelo município de Torres Novas.
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
O BARBEIRO QUE TEM DE NOME
MAS NÃO É DE SEVILHA
Há muitos anos que a aldeia só tem um barbeiro. O existente, num raio de 15 quilómetros, dá pelo nome de Sevilha.
A alcunha creio, foi por força da conhecida ópera, Barbeiro de Sevilha, e a similitude com a história de Fígaro. Este “baeta”, da nossa vizinha Espanha, fazia de “tudo”. Reza a história, (entre outros predicados), que atento as confissões de alguns clientes, passava-as a outros sem deixar de acrescentar mais um ponto, enfim… um verdadeiro prodígio não só na arte de barbear como também da imaginação.
O nosso amigo barbeiro, talvez não (tenha) tivesse tantos “predicados”, mas pela analogia da profissão, da alcunha não se safou. Hoje, cá na terra, ninguém o trata pelo nome de batismo, Sevilha ficou.
Vou ao seu encontro no modesto e pequeno salão de barbeiro, “anos 50”, situado na entrada da sua residência. Reparo que as paredes são amareladas pelo tempo. Observo que suportando os apetrechos da profissão, os móveis, de pintura castanha aqui-ali já polida, são pequenas gavetas suportados por estreitas poleias.
Cadeira articulada necessariamente.
Um ou outro calendário com a imagem de senhoras pró sensual fazem parte do layout.
Vejo a sua mão estendida para cumprimento deste seu novo cliente.
A cadeira de trabalho espera-me. O avental de serviço desse dia é-me colocado.
Na minha frente, no espelho situado na parede, contemplo refletida a sua imagem com a tesoura e o pente na mão.
Pergunta:
Como quer o corte?
Cheio respondi!
Está bem, não precisa de dizer mais nada!
Este meu “novo” barbeiro tem 76 anos de idade, de constituição magra e pequeno na altura.
Enquanto me “tosquiava”, com ar semblante e curioso, perguntou:
De férias? Mora onde? É familiar de quem?
Respondi há sua curiosidade.
Assegura, sorrindo, que eu tinha feito bem ao deslocar-me para a aldeia!
Acrescenta, algo gabarola, que apesar da idade já avançada e das vicissitudes da vida, nunca esteve doente.
Ficou admirado quando lhe disse que o seu “percurso” não me era totalmente desconhecido.
Disseram-me que trabalhou nas barbearias mais chiques de Santarém.
Que tinha sido treinador do Clube Vera Cruz Futebol.
Uma outra paixão era colecionar bicicletas pasteleiras e automóveis em desuso.
Ui meu amigo, não só
Não só meu amigo retorquiu. Não só!
A vida foi bem dura.
Não fui bem-sucedido como imigrante na Alemanha.
Fui longos anos maltês (*) numa quinta na periferia da aldeia. Ferrava pelas quatro horas da manhã para cuidar do rebanho de cabras que tinha agrupado com o gado do patrão.
Quando o sol raiava era agarrar na motoreta e seguir para Santarém para responder à profissão de barbeiro que desde os 13 anos abracei.
A vida foi bem dura para mim e para a Deolinda.
A Deolinda era o nome da minha mulher.
Choro todos os dias esta que foi a mulher da minha vida. Companheira sofrida. Mãe dos meus dois filhos.
Essa do futebol é para esquecer, o Vera Cruz Futebol Clube foi um clube muito animado pela mocidade do Pombalinho. Foi fundado em 1933, ainda eu não era nascido. Passado cerca de uma década acabou. Renasceu anos mais tarde. Por volta dos anos 70 foi seu treinador. Era mais uma tarefa a juntar ao meu currículo profissional.
Apesar de tudo, ainda tinha tempo para treinar a rapaziada. Mas tudo acaba. Quando larguei esta tarefa ao cabo de 12 anos, perto se desmoronou. Hoje só resta o campo de futebol e a maior parte rapaziada que formava o clube e a equipa.
Mas você quer uma bicicleta para recuperar? Eu não vendo! Ofereço-a.
Tenha um bom dia.
Nota
(*)Trabalhador agrícola que se desloca para trabalhar temporariamente fora da sua terra.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Os Avós
Os avós vêm de muito, Muito longe…
E vêm cansados. De tão longa caminhada. Cheios de pó, metem dó!
E vêm vergados. Por tantos anos vividos a trabalhar.
Também vêm sós. Tudo perderam pelo caminho: A Elegância, a Formosura, toda a frescura, os mais belos sonhos, anos risonhos, os seus amigos, os seus parentes. Mesmo seus maiores afectos
Apenas lhes resta o coração.
Esse, guardam-no religiosamente - Para amar, e para dar de presente...
...Aos seus netos
E vêm vergados. Por tantos anos vividos a trabalhar.
Também vêm sós. Tudo perderam pelo caminho: A Elegância, a Formosura, toda a frescura, os mais belos sonhos, anos risonhos, os seus amigos, os seus parentes. Mesmo seus maiores afectos
Apenas lhes resta o coração.
Esse, guardam-no religiosamente - Para amar, e para dar de presente...
...Aos seus netos
(do blog Educação de Infancia, mas de autor desconhecido.)
quinta-feira, 31 de julho de 2014
JÁ NO SÉCULO XV EXISTIA O NOME DE PICA SINOS
Com
uma rara cultura, Anselmo Braamcamp Freire (1849-1921) foi
escritor, historiador e um dos fundadores do Arquivo Histórico Português, em 1903.
Como
arqueólogo e genealogista deixou uma vasta obra, tendo sido em
Portugal o precursor de genealogia científica.
Os Brasões da Sala de
Sintra são a obra maior de
investigação de Anselmo Braamcamp Freire, autor que ocupa um lugar de excepção, de primeira fila,
na legião dos que, depois de Herculano, adiantaram as investigações
históricas em Portugal.
Esta obra marca também o início, em Portugal, do estudo da Genealogia como uma ciência auxiliar da História, pois até essa data
ela mantivera-se num estado de panegírica, e de pouca ou
nenhuma aplicação dos métodos científicos de investigação.
(Wikipédia)
142 Brasões
……
Por fim entrou el Rei a cavalo coberto de
riquíssima armadura guarnecida de pedras preciosas e pérolas, com a coroa real
sobre o elmo e dela saindo os liames de nau doirados que ostentava por cimeira
em atenção à rainha, fazendo um desgraçado trocadilho com liames e Lianor, como
então se dizia:
Estes liam de maneira que jamais pode
quebrar quem co'elles navegar.
Em volta de D. João II caminhavam quarenta
moços de estribeira vestidos de brocados de pêlo.
Atrás de el Rei vinham, tambe'm a cavalo, os
oito mantenedores, a um e um, todos ricamente vestidos de brocados e sedas,
cobertos de bordados e entretalhos e ornados de magníficas jóias. Cada um deles
era rodeado de muitos moços de esporas vestidos de sedas.
O primeiro mantenedor atrás de el Rei era D.
João de Valenzuela, antigo prior mor da Ordem de S. João de Castela, donde
andava desterrado por haver seguido o partido da Excelente Senhora. Era homem
não muito novo decerto, pois que já naquela qualidade figurara numa concórdia
celebrada em 1467 entre os priorados de Castela e Portugal (i). Trazia como
cimeira o vulto de Alexandre sobre uns grifos e esta divisa:
O sexto era
D. João de Meneses, o Pica-Sinos, alcunha que lhe foi posta por em rapaz querer
andar sempre a repicar sinos. Era irmão do conde de Cantanhede e aio e mordomo-mor
do príncipe D. Afonso, a quem acompanhou quando, em 12 de Julho de 1491, deu,
nos campos de Santarém, a mortal queda do cavalo abaixo. D. João, um dos
melhores poetas do Cancioneiro, trazia por cimeira um ichó (armadilha em forma
de alçapão para apanhar caça meúda) e dentre dele metido até à cintura um
homem. A divisa era esta:
Es tan dulce mi prision
que deve, para matarme,
no prenderme mas
soltarme.
sábado, 21 de junho de 2014
HISTÓRIAS DO MEU VELHO BAIRRO DAS FURNAS (XLIII)
O PÊSSEGO REBOLÃO
Muitos dos quintais do meu
velho Bairro das Furnas tinham árvores de frutos cultivadas, não sendo raro haver
pessegueiros! O meu brotava uma qualidade de pêssegos que pela sua cor vermelha
e fina penugem que os cobria, fazia inveja a quem na passagem os admirava. Os
ramos, carregados, dobravam pelo peso de tantos rebentos. Cá o rapaz, não raras
as vezes, era criticado pela D. Georgina, minha mãe, por os apanhar, às
escondidas, ainda pouco maduros.
Ao longo da vida sempre gostei
de pêssegos, direi mesmo que é um dos frutos que mais aprecio. Hoje, quando como
pêssegos, não me parecem tão saborosos como os desta árvore que me viu crescer.
Exactamente por gostar tanto
deste fruto, guardo uma história que me atrevo a contar.
Aos fins-de-semana, era comum
a rapaziada do bairro, ainda imberbe e em grupo, rumarem ao Pavilhão dos
Desportos, em S. Sebastião da Pedreira. A Câmara Municipal de Lisboa, para
gáudio da cachopada, oferecia, na ausência das modalidades desportivas, nos
períodos da manhã ou nas tardes, fitas de desenho animados entre outros filmes.
Também o Jardim Zoológico era
destino a ter em conta.
Com a chegada do verão, era
forte a discussão entre a miudagem na casa da Mocidade existente na entrada do
Bairro. A organização dos acampamentos e dos cursos para graduados da Mocidade
Portuguesa era alegre, divertida e entusiasmante.
Os rapazes acabados de sair
da instrução primária, ainda sem trabalho, ou em período de férias escolares antecedentes
ao ensino secundário, aos fins-de- semana, eram convidados a passar esses dias
fora de casa. Uns com vistas a acampar nos mais variados sítios nos arredores
de Lisboa, outros a obter cursos de “Chefe de Quina” e de “Comandante de
Castelo”, na Quinta da Graça, à Cruz Quebrada.
Passar o fim-de-semana fora
de casa tornava-se uma aventura. Acampar com a “malta” tendo como manta o som
das ondas do mar era o máximo! Como seria passar o fim-de-semana na Quinta da Graça,
na companhia dos rapazes oriundos das mais variadas casas da Mocidade do
distrito de Lisboa? A minha curiosidade era mais que muita. Contudo, aqui, ao
contrário dos acampamentos, não gostei. Só por lá passei um fim-de-semana.
Nesta quinta, as mesas do
refeitório tinham bancos corridos que comportavam cerca de 12 rapazes (6 de
cada lado). Dispostas para acompanhar o comprimento da sala, divididas por um corredor.
No final ficava atravessada a mesa dos “vips” com as respectivas cadeiras na
direcção dos alunos.
Fazia parte da tradição um
aluno representar os demais na mesa das personalidades, composta por monitores
e convidados. Ainda hoje não sei o porquê de ter sido eu o escolhido para esse
jantar de sábado. Ocupei a cadeira frente ao corredor, “encaixado” na minha esquerda
por um padre, e pela direita, um engravatado qualquer.
Uma dúvida me
sobressaltava….Será que os “vip(s)”! comem os pêssegos à dentada…?
Demoro a ver, na minha
frente, um prato pequeno acompanhado de faca e garfo.
Uma voz soa ao meu ouvido.
Era a voz do padre:
…Como te chamas? ...Não comes
fruta…?
Quero um pêssego, mas nunca
os descasquei com faca e garfo, retorqui!
…Vê como eu faço… Disse o meu
companheiro vip.
Sobre o olhar da rapaziada
por perto, quiçá com as mesmas dificuldades no descasque, lá fui
atabalhoadamente descascando com a faca e com o garfo o suculento pêssego. Quando
perto do final de tão arriscada operação, o popular fruto, certamente ofendido
pelo trato, salta a bom saltar do prato e rebola apressadamente pelo corredor,
acompanhado na sua desenfreada correria as gargalhadas de todos que assistiram.
Em conclusão direi:
Nunca mais visitei a Quinta
da Graça!
E jamais, ao longo da vida,
comi pêssegos com faca e garfo!
segunda-feira, 9 de junho de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Subscrever:
Mensagens (Atom)
